Bitcoin x Sustentabilidade – Entrevista

Bitcoin x Sustentabilidade – Entrevista
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Bitcoin e sustentabilidade tem alguma relação? Conheça como o Thiago conseguiu unir o uso rotineiro do bitcoin com “ideias verdes” para contribuir para o bem do meio ambiente.

httpss://www.youtube.com/watch?v=zaSUhaJ034U

Bitcoin, como um dinheiro global, pode se tornar um incentivo para que pessoas colaborem para a sociedade, reciclando garrafas e latas e sendo recompensadas por deixarem o carro em caso e irem trabalhar de bicicleta?

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Nesta entrevista, o Thiago vai compartilhar ideias para que pensemos fora da caixa sobre:

  • Incentivo monetário à reciclagem de materiais;
  • Caixas eletrônicos que não recebem dinheiro para te dar bitcoins;
  • As possibilidades que o fracionamento dos bitcoins nos brindam;

Você pode ler a entrevista em formato de texto:

Fernando: Bom dia, boa tarde, aqui é o Fernando da Bitcoin nos Negócios. Estou hoje com o Thiago Yield. Tudo bem Thiago?

Thiago: Tudo bem, Fernando. Como você está aí?

Fernando: Joia. O Thiago é o fundador da Pague com bitcoins, que é uma empresa que faz intermediações de pagamentos, quer dizer, permite pagar boletos com bitcoins e também fazer recarga de celulares aqui no Brasil.

Faz algum tempo eu estava tendo uma conversa com ele sobre os usos do Bitcoin, e ele teve umas ideias bastante interessantes sobre alguns usos “verdes” e sociais do Bitcoin, não é Thiago?

É isso. O Bitcoin é às vezes tão afetado por uma má imagem. Como a Internet tinha no começo, devido aos maus usos que o pessoal fazia. Então acho que é interessante o Thiago poder contar aqui para a gente as suas ideias sobre os usos benéficos do Bitcoin.

Thiago: Uma das ideias que é bem simples até, seria um copycat do que já existiu no Brasil um tempo atrás. Hoje em dia é até difícil você encontrar isso. Mas antigamente você tinha a possibilidade quando você ia ao mercado, quando você ia a um shopping ou algo do tipo, de poder trocar material reciclado e eles tinham uma máquina e você emitia como se fosse um ticket, contendo um valor irrisório ali e esse valor você poderia trocar por um desconto na sua compra no mercado. Ou você poderia comprar um material, dependendo o valor que fosse, dará até para comprar o próprio produto.

Algumas redes até trabalharam com isso, e já tinham pacotes fechados. Por exemplo: você colocava 3 garrafas de óleo vazias, e você já sabia exatamente quanto você iria receber. Por quantidade de lixo reciclado você já sabia o valor, já tinha um cálculo ali, que mostrava o quanto você iria receber no ticket. Era válido naquela rede de supermercado ou somente no mercado.

Então a nossa facilidade com Bitcoin, ele é muito próximo ao dinheiro, você pode trabalhar com todas as frações dele. Como você tem ali 9 casas (errata: 8 casas decimais), que você pode trabalhar as frações e gerar uma curiosidade nas pessoas também, como algo que ela entrega, como o material reciclável pode ser benéfico de todas as formas.

Uma dessas formas seria utilizar essas frações do Bitcoin, para valores irrisórios, que são os satoshis, em bonificação das pessoas que levam esse lixo reciclado aos pontos específicos. Então uma das ideias, que seria muito interessante, seria ter essa máquina, que faz o recolhimento desse material reciclado, na frente de shoppings ou alguns supermercados, que possam também a passar a aceitar o Bitcoin como forma de pagamento.

Você pode entregar aquele valor para qualquer tipo de pessoa. Uma pessoa que mora na rua por exemplo. Ela já tem esse material, ela já faz esse recolhimento e leva para um centro. É bom que você já consegue pagar exatamente o valor devido àquilo. Você não tem essa questão de levar… muitas vezes a pessoa recolhe o material, leva para um centro e tem um valor. Leva para outro e tem outro valor.

Então você consegue diminuir isso. Você consegue diminuir esse risco dessa variação. Você consegue ganhar uma confiabilidade, sendo que a pessoa está recebendo um valor, uma moeda digital por aquilo, uma bonificação, que ela pode utilizar em qualquer lugar.

Então passando a aceitar em qualquer lugar que você tenha maior aceitação da tecnologia Bitcoin, você conseguiria trabalhar este discurso de tecnologia verde, de propriedade verde para o Bitcoin.

Uma das possibilidades também seriam eventos como a gente está tendo aqui no Brasil o Rock in Rio. Então eventos sociais também, porque não? Eventos culturais, shows. Isso eu posso colocar a minha marca ali e gera uma curiosidade da pessoa. A lata de refrigerante que ela está tomando em um lugar, cerveja ou qualquer produto que ela estiver ali tomando ou consumindo, que ela possa trocar aquilo de uma certa forma por bitcoins.

Então você traz este primeiro contato a pessoas que nem sabe o que é. É uma forma muito benéfica, e o investimento é pequeno até. Você consegue trabalhar a rede que vai recolher material reciclado. Você dá a eles os pontos específicos que esse material tem que ser recolhido. Ou seja, você já diminuiria a procura que ele tem que fazer em toda a zona e tudo o mais, e você bonifica a pessoa por ela compartilhado aquele material reciclado ali, não ter jogado no chão ou ter misturado com material orgânico.

Então essa é uma das ideias para o uso verde do Bitcoin. No dia a dia, a atração de novas pessoas.

Fernando: E só para recapitular então: digamos assim, você pode estabelecer que por uma latinha de refrigerante ou uma garrafa de cerveja, há uma bonificação de 1 centavo de real, 5 centavos…?

Thiago: Exatamente. Eu não sei exatamente o preço desses materiais reciclados, mas nesses centros de reciclagem eles podem informar o valor. Normalmente como eles compram por peso, então você pode ter esses valores aí e repassar estes valores.

Como a gente tem a tecnologia das ATMs de bitcoins, que elas geram o QRCode ali com o valor em Bitcoin naquele QRCode, então você consegue fazer uma impressora térmica no equipamento desse que receberia ali a quantidade e já teria um cálculo. Com a máquina conectada à internet você consegue fazer esses controles e iria repassar centavos de real em satoshis, centavos de dólar em satoshi, centavos de euro em satoshi, dependendo de onde for utilizada essa tecnologia.

Fernando: Quer dizer assim, um caixa automático, em vez de você colocar dinheiro, você coloca uma garrafa.

Thiago: Exatamente. E aquilo você pode utilizar para o que você tiver interesse. Você pode reutilizar ele pela internet, para fazer uma compra internacional, porque não? Você pode enviá-la para alguém ou você pode armazenar. Você pode puxar aquele QRCode para a sua Wallet já, entendeu?

Você pode ter pontos que aceitem aqueles tickets em QRCode em troca de alimento, por exemplo, em troca de ingresso, com show ou algo assim.

Fernando: Legal. Gostei da sua primeira ideia. Gostaria de comentar alguma outra?

Thiago: Tem uma ideia que eu tinha até comentado com você e agora eu não lembro. Até pensei que eu tivesse lido isso em alguma página, mas depois que eu comentei isso contigo eu não encontrei mais.

Fernando: Vamos manter no campo das ideias, não tem problema.

Thiago: Claro. Na época que eu morei na Argentina, eu tive algum contato com algumas pessoas também, utilizando Bitcoin no dia a dia, que tinham negócios com Bitcoin, passaram a aceitar Bitcoin. Na Argentina já é possível você pagar até táxi hoje em dia com Bitcoin.

Então eu não sei se foi exatamente uma conversa dessas que eu tive ou se eu li em algum site, mas existe um projeto que é bem interessante também. O que ele faria? Não sei se você conhece aqueles apps que você tem no celular, como o Runtastic, que ele vai calculando ali os km que você percorre, determinando a atividade física que você realiza.

Fernando: Sim.

Thiago: Você conhece esses aplicativos, não?

Fernando: Conheço.

Thiago: Havia um projeto que seria o que? A compra da cota de carbono que uma pessoa deixa de criar, deixa de expor isso à natureza.

Então o que seria? Toda vez que uma pessoa passa a fazer o trajeto para o trabalho, para a faculdade, a pé, ela ativaria esse aplicativo e ele faria alguma forma de certificação que realmente a pessoa estava fazendo o trajeto a pé, ou bicicleta, algo que não produzisse poluição, e ele também executaria pagamentos com bonificação.

Então seria a compra da cota de carbono. Você passa a deixar de utilizar o carro para ir ao trabalho e passa a utilizar a bicicleta. Então além de você ter um bem-estar maior, se preocupar mais com a sua saúde e estar melhor, você também é bonificado em pequenas frações de Bitcoin como um incentivo para você continuar a utilizar aquilo, para você não poluir mais o planeta.

Então isso tem várias aplicações. Muito no Brasil agora se começaram a se utilizar a bicicleta nas grandes metrópoles, como SP e RJ. Em SP até tem uma boa parte das guias principais que, durante os fins de semana, são cortados para a prática do esporte, para a prática do ciclismo dentro da cidade, com mais segurança.

São incentivos que podem ser regados. Esse projeto sinceramente eu não lembro se eu li em alguma parte ou se eu conversei com alguém. Espero não estar proliferando o projeto de alguém que já trabalha nisso, mas eu achei bem interessante. Eu achei muito interessante você conseguir dar esse incentivo à prática de esportes, à prática de uma natureza um pouco mais limpa e uma bonificação que também é superflexível.

Fernando: Sem dúvida. Quando a gente fala de bonificar com bitcoins, muita gente acho que vai perguntar: “tá, mas onde eu posso gastar esses bitcoins? “

Em todo mundo já existem dezenas de milhares de comércios que o aceitam. No Brasil ainda está crescendo. Se a gente for ver lá no https://coinmap.org/ tem quase 100, o que é pouquíssimo, mas está crescendo numa velocidade grande. Então é bom a gente discutir essas ideias justo no comecinho, para depois, à medida que for se expandindo, os usuários encontrarem mais e mais utilidades práticas, o quanto ele recebe.

Thiago: Claro. E quando a gente comenta em bonificar em Bitcoin, é justamente pela flexibilidade disso. Muitas vezes se pode até esses sites que existem, que trabalham com pago por clique. Há uma certa quantidade de vídeos que você vê ou ações que você toma dentro do site, ele te bonifica 1 centavo de dólar ou 3 centavos de dólar a cada tantos cliques que você dá.

Só que depois para você retirar esse valor dessa plataforma, você utiliza normalmente Paypal ou algum outro processador de pagamentos online. E são quantidades tão pequenas, tão irrisórias que você não tem como retirar isso para uma conta bancária por exemplo, porque os processadores trabalham com limites mínimos e máximos. E quando você retira isso também para uma outra conta, às vezes você paga uma taxa de 4%, de 6%, que já acabou com todo o seu ganho, que já não era grandioso.

Quando a gente menciona bonificar por Bitcoin, a gente mostra as possibilidades de você ter um processador, uma forma de pagamento, um protocolo que utiliza a troca de informações com pagamento e você pode utilizar isso tanto pela internet, para comprar algum produto, para realizar alguma transação, para trabalhar na bolsa, as bolsas de Bitcoin que existem, para pagar por algum serviço.

Você ganha pequenas frações que você vai juntando e vai gerando uma quantidade maior. E você não tem um mínimo e um máximo que você pode trabalhar para retirar isso. Muitas bolsas por exemplo, aqui no Brasil a gente tem bolsas onde você pode retirar o valor de R$10. Se você vender para uma pessoa, você pode obter ali o valor de 5 reais ou menos.

Ou seja, você tem toda essa flexibilidade de poder integrar serviços e soluções, e a pessoa ser bonificada de várias pontas para uma mesma carteira de Bitcoin, por exemplo. E ela vai juntando ali e vai utilizando da forma que ela desejar, sem ter esse abuso das taxas que os processadores de pagamentos normalmente têm.

Fernando: Fantástico. Pois é Thiago, alguma outra ideia?

Thiago: Ah, ideias sempre existem. Mas eu acho muito louvável algumas pessoas utilizarem o Bitcoin para ideias verdes. Eu acho que tem muito a ganhar, a flexibilidade dele é enorme. A segurança dele é enorme. Você tem pessoas no mundo inteiro que podem compartilhar disso, podem compartilhar pequenas quantidades, grandes quantidades. Todo projeto que você realiza, todo projeto que você desenvolve sempre vai ter um olhar diferenciado quando é baseado em Bitcoin, porque hoje em dia o Bitcoin te abriu novas vertentes, abriu novos consumidores, novos desenvolvedores, novas tecnologias.

Então todo projeto que você possa utilizar baseado em Bitcoin mas que seja para coisas boas, benéficas, é ótimo. O Bitcoin, como nós sabemos, teve um início fantástico. É uma tecnologia fantástica, mas assim como o dinheiro físico, outras tecnologias sempre são utilizadas das duas formas: do lado bom e do lado ruim.

Então é interessante isso, você desmistificar o Bitcoin. Não deixar que as pessoas sempre acreditem que o Bitcoin é simplesmente para ser especulado em uma bolsa ou é para ser utilizado de uma forma errada. Poder mostrar que ele pode sim sanar vários problemas e ser utilizado de várias formas que são muito úteis para o dia a dia e para as pessoas.

Fernando: Isso é muito importante. Acho que vou até aproveitar a sua deixa para poder perguntar. Para os empresários que estiverem nos escutando, e você é um empresário do mundo Bitcoin, o que você recomendaria para alguém que está pensando ou em adotar Bitcoin ou desenvolver alguma coisa nova com Bitcoin. Baseado na sua experiência, quais são os seus conselhos?

Thiago: É como eu mencionei: são novos consumidores, nova tecnologia, novas necessidades. Existia uma gama enorme de serviços que não aceitam Bitcoin, mas que se passassem a aceitar, teriam novos consumidores ali, novas pessoas, ou pessoas que iriam utilizar mais esses serviços ou pelo menos iriam utilizar por curiosidade, já que você sairia um pouco dessas taxas e dessas complicações, de não ter a necessidade de ter um cartão de crédito, de não ter a necessidade de ter uma conta em um banco, naquele país.

Então eu acredito que os empreendedores que têm interesse em Bitcoin, assim como em qualquer outra tecnologia, que eles conheçam, que eles parem para conhecer. Parem para prestar atenção, entendam. Não tem nenhum problema, não tenham vergonha de perguntar, que realmente se tem o interesse em utilizar, que consumam. Tem muito material na internet, muitas comunidades também na internet de Bitcoin.

Isso é interessante. Que ele realmente conheça e que ele entende se a necessidade do negócio dele passa por Bitcoin ou não, se ele pode utilizar o Bitcoin. Também não podemos ser evangelizadores assim…enormes, muito fortes. Não podemos simplesmente falar que o Bitcoin vai resolver todos os negócios e vai trazer lucro para todos os negócios.

Então a pessoa tem que conhecer o negócio dela, tem que ter noção que se realmente há uma necessidade de Bitcoin ou não. Então ela começa a estudar e utiliza da melhor forma possível.

Fernando: Thiago, e quem quiser entrar em contato contigo, como é que pode fazer?

Thiago: Bem, eu tenho o site, que é o https://paguecombitcoin.com Então lá nós temos três formas de contato, e temos também a fanpage, que é o Pague com Bitcoin. Por meio desse site, temos o e-mail, que é o info@paguecombitcoin.com

Temos o chat também na página. Então todo contato que for feito pela página ou por e-mail, eu posso ali dar uma lida no e-mail, posso conversar. Quem estiver interessado em conhecer a plataforma de pagamento e estiver interessado em compartilhar alguma ideia, a gente pode também trabalhar em cima dessa ideia.

fonte: www.bitcoinnosnegocios.com.br

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